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25/04/2014 11:09

Uma manhã perdida

Uma manhã perdida

“Todos dizem de um rio violento, ninguém fala das margens que o oprimem” (Brecht).

Por César Alberto Souza

diretor de comunicação da AMAI


Representando o coronel Furquim, presidente da AMAI, estive na abertura do Seminário “Repensando a Segurança Pública”, na última quinta-feira (24), promovido pelo intitulado “Fórum Paranaense pela Segurança Pública” - fórum este que a AMAI não faz parte, e nem foi convidada a fazer. 

O Seminário é aberto ao público, e um dos objetivos da AMAI é defender os direitos humanos e promover a segurança pública e cultura da paz, e nesse espírito lá estivemos.

Prevista para ser as 9 horas, o seminário iniciou após as 10 horas e a palestra do professor Pedro Bodê, iniciou as 11h20min, de modo que foi palestra, sem direito a contraponto e questionamento, e tinha por tema “Desmilitarização e democratização das polícias, por uma polícia voltada ao cidadão”. Infelizmente não havia participação da sociedade civil e as práticas não foram nada democráticas, meramente revanchistas. Composta a mesa de autoridades, o único PM integrante foi o representante da APRASC, isso mesmo, Associação de Praças de Santa Catarina.

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Fernando Augusto Vicentine, que também coordena o fórum, presidiu a mesa, que também foi composta pelo representante da FENAPRF, Luis Antonio de Araujo Boudens, - uma das poucas vozes sensatas a falar neste dia -, o Deputado Professor Lemos e o Promotor Federal Marcelo Godoy.

Nas demais falas da mesa a mostra de que “desmilitarização” é um engodo que não tem consenso, nem entre seus defensores. Enquanto para alguns militares estaduais de base, essa desmilitarização é a conquista de direitos à greve e à sindicalização, para outros é o controle da violência dos policiais, e ainda para outros, o fim da Polícia Militar, ranço da ditadura.

Na palestra de abertura Pedro Bode fez uma das suas piores palestras, entre as tantas dele que já assisti. Impregnada de preconceito, com pressupostos epistemológicos falsos, reconheceu a violência das Guardas Municipais, mas atribuiu a “colonização” que essas sofreram por parte das Polícias Militares.

Atribuiu a possibilidade de se discutir a desmilitarização aos movimentos sociais de 2013, com a estapafúrdia frase: “foi preciso a classe média apanhar, para que ela reconhecesse a necessidade de desmilitarizar a polícia e a política”.

Pobre em argumentos, destilou seus rancores contra a SENASP e contra o seu ex-partido, o PT. Sendo da “Academia” abandonou o discurso acadêmico fazendo uma citação inverídica, afirmando que para defender o militarismo, os coronéis querem nos convencer que os Estados Unidos possuem uma polícia militarizada, subvertendo o discurso da FENEME de que algumas das melhores polícias do mundo, como Canadá, Espanha e Chile, são militares (veja o artigo completo no link http://www.feneme.org.br/index.php?mod=noticias&inc=mais_procurados&opt=interna&id=1155&sub=33 ).

Apelou também para a mentira quando atribuiu à Franco Montoro a autoria de uma PEC para a desmilitarização, a verdade é que outro governador, Mário Covas, que não propunha desmilitarização nem unificação propriamente dita, mas o estabelecimento de um comando único às Polícias Estaduais. Do mesmo partido, Zulaie Cobra, em 1998, é que viria a propor a unificação das polícias estaduais. Ambas as propostas, por ora estão numa comissão especial do Senado, que até agora não emitiu seu relatório, assim como até hoje, 26 anos depois, não se regulamentou o Sistema de Segurança Pública proposto na Constituição de 1988.

Ao apelar para mentiras, os argumentos de Pedro perderam a cientificidade e passou a ser um discurso do professor para os alunos, messiânico, em busca de aplausos. Utópico e infelizmente sem nenhuma colaboração para com a solução do gravíssimo problema da Segurança Pública, e para a melhoria das condições de trabalho aos integrantes das carreiras policiais.

Mais de um milhão de trabalhadores da Segurança Pública estão na esperança de melhoria nas suas condições de trabalho, no reconhecimento de sua cidadania, mas ao invés de remover os resquícios da “Ditadura”, ficam a tergiversar sem nada de prático propor. Acreditam que extinguir a Polícia Militar irá resolver todos os graves problemas brasileiros.

Já que o Professor Pedro não permitiu um contraponto, vamos sugerir a leitura do artigo http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/04/22/o-perigo-e-a-falacia-da-desmilitarizacao-da-policia/ para formar a nossa própria opinião.

 

Encontre no site da AMAI

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