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06/10/2018 10:01

Editorial Jornal AMAI: Nosso recado deve ser nas urnas

Editorial Jornal AMAI: Nosso recado  deve ser nas urnas

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição” (CF 1988).

Em 5 de outubro de 2018, a Constituição Cidadã completará 30 anos de sua promulgação e nunca ela foi tão desrespeitada, inclusive em seus princípios fundantes.

Diz ela que são fundamentos da República Federativa do Brasil, conforme o Artigo 1º:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

A soberania do País é atacada tanto fisicamente, pela invasão dos venezuelanos, quanto pela ideologia que quer subordinar o Brasil ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, que é órgão administrativo e teve por bastião o paranaense Edson Fachin, ministro do TSE e do STF, que aceitou a tese de que uma minoria desse comitê possa dar uma determinação para a Justiça brasileira.

A cidadania, nossos Direitos e Deveres, está sendo vilipendiada, não somos ouvidos, não somos respeitados, a bandidagem grassa e as vítimas é que tem que se esconder.

Sobre a Dignidade da Pessoa Humana e os Valores Sociais do Trabalho, nós, militares e funcionários do Executivo, sabemos o que tem acontecido: três anos sem reposição da inflação com uma brutal redução dos vencimentos, frente à alta de todas as taxas, e uma inflação incontrolável nos combustíveis, que reflete na estagnação da economia. Quanto à livre iniciativa, é mera ficção, pois o Governo é o sócio majoritário através de uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Mas é na falta de pluralismo político que se observa o maior desrespeito à Constituição de 1988. Ainda não tinha sido promulgada e já se corrompia a nossa Carta Magna, ao invés de romper com o status reinante, marcando imediatamente eleições diretas para todos os cargos, principalmente para Presidente da República. Mas dizem que, em troca de concessões para rádio e televisão, os constituintes deram a José Sarney cinco anos de mandato presidencial. Os demais teriam quatro, mas não foi bem isso, após o impeachment de Collor, Fernando Henrique se auto concedeu oito anos de mandato, dizem que também comprou o Congresso, estabelecendo a reeleição, ofendendo de novo o princípio fundamental de pluralismo político.

Cansados de tanta falcatrua na política, houve uma jornada de manifestações populares, muito maiores que no pedido das “Diretas Já” em 1984. Então, os políticos fizeram reformas na legislação eleitoral, e tudo ao contrário do que a população pediu. Afinal, como afirmou em maio de 2016, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia: “Não podemos aceitar que a Câmara se transforme em cartório carimbador de opiniões de partes da sociedade”.

Assim, a reforma foi para garantir a reeleição dos mesmos ou eleição de seus sucessores, os filhos e filhas dos mesmos, a família política brasileira. Após a reforma só pode haver financiamento público, o fundo partidário vai para partidos com o maior número de deputados federais eleitos, o fundo de campanha para os mesmos partidos e o tempo de propaganda política idem. Então, quem tem mais eleitos, tem mais recursos para continuar se reelegendo e elegendo os candidatos de sua sigla.

E confiam tanto na amnésia dos eleitores que em suas propagandas pensam que ninguém vai pesquisar. Na propaganda televisiva do Solidariedade “denunciaram” o 29 de Abril, mas omitiram que o Secretário de Segurança daquela época era filiado ao Solidariedade, o mesmo que dançou “tango” no episódio dos deputados do camburão. Esse deputado federal mudou de partido, tenta surfar na onda Bolsonaro, e agora tenta emplacar a família toda, o filho candidato a federal, ele a estadual, e até ensaiou a esposa Flávia a deputada estadual.

Alguns PMs iludidos estão buscando votos que auxiliaram a eleição da família, ajudarão na legenda, mas não tem potencial de fazer mais votos que o “dono” do partido, ou seu filho. Prova disso é que teria vetado o ingresso no PSL de um sargento candidato com potencial para ultrapassar o “filipinho”.

Como disse o próprio sargento vetado, essa é a regra do jogo que eles mesmo fizeram. O voto pela legenda poderia deixá-lo de fora, então vou buscar meu espaço em outro partido, que me dê condições de concorrer.

Essa regra existe há muito tempo. Lembro que, em 2006, votei no Coronel Neves, que teve 2.818 votos, não eleito, mas o último eleito da coligação foi Cássio Taniguchi, com 67.821 votos. Marcelo Almeida, de outra coligação, com quase 85 mil votos ficou fora, o que mostra que meu voto no Coronel Neves ajudou a eleger Taniguchi!

O pluralismo político é totalmente desrespeitado, os figurões são os beneficiados, e se nós formos iludidos politicamente, iremos participar desse jogo. Sendo inocente como eu fui em 2006, votei com o coração e fiz o jogo dos barões da política. Para neutralizar essa estratégia, todos nós temos que concentrar os votos em candidatos viáveis, que tenham condições de se eleger, de ter mais votos que essas figuras carimbadas.

O voto não é vinculado, o voto pode ser em presidente de um partido, governador de outro e senador de outro, deputado federal diferente de deputado estadual. O voto é livre, o importante é votar, pois o voto em branco e o voto nulo colocam o nosso destino no voto de outras pessoas.

Há quase 100 anos, Brecht afirmou em um dos seus espetáculos: “Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”. Porém, na atual situação brasileira, não adianta saber votar, nossos votos são cassados e desviados para os mesmos, para os políticos tradicionais, tanto que eles nos impingem seus sucessores. Aí está o filho, filha, neto, sobrinho, esposa e quiçá até o/a amante! São tantos outros parentes que é difícil escapar dessa sucessão familiar. Falta apoio da legislação, falta tempo para propaganda política e a população acaba votando nos mais conhecidos.

Até Tiririca voltou, enganou você e é candidato de novo! A grande esperança da sociedade são as redes sociais, porém, estão desacreditadas depois do escândalo de manipulação na maior democracia do mundo: a eleição presidencial dos EUA está sob suspeita.

Matéria no Jornal Gazeta do Povo, de 02/09/18, mostra que 95% dos recursos para as campanhas ao Governo do Paraná são recursos públicos¹, comprovando que o princípio do pluralismo político, a alternância no poder, é desrespeitada. Isso há mais de 30 anos, pois essa prática vem desde a Velha República, a velha política “café com leite”, o coronelismo que substituiu a monarquia, se não tinha um título de conde ou duque para distribuir se distribuía título de Coronel da Guarda Nacional, e os apoios iam sendo comprados e cooptados.

E o novo Congresso não deverá fazer nada para mudar essas regras, o que eles farão são regras para se reeleger, se manter no poder. A política para eles é só para alcançar, manter ou influir no poder. E o povo? Esse que se cale e não atrapalhe os profissionais da política. Em outubro vamos às urnas e vamos dar o nosso recado, porque depois não nos escutarão.


¹ https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/joao-frey/2018/09/02/dinheiro-publico-paga-95-das-campanhas-ao-governo-do-parana/

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