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08/06/2018 15:00

Delações Premiadas acirram clima eleitoral

Delações Premiadas acirram clima eleitoral

O conturbado cenário político-social do Brasil, num momento de intensa polarização direita-esquerda, ganha contornos ainda mais dramáticos num ano de eleições gerais.

É de se esperar que a disputa eleitoral tenha como mote principal a propalada corrupção que assola o país de norte a sul, de leste a oeste, e coloca em cheque a credibilidade da classe política. Não será surpresa nenhuma que candidatos a cargos do legislativo e do executivo procurem enredar seus adversários em histórias que envolvam uma falcatrua aqui, uma propina ali, e se apresentem como uma alternativa de honestidade.

Como ilustração deste panorama, o instituto da delação premiada, expediente tão utilizado no âmbito da Lava Jato e de outras operações, ameaça de maneira contundente algumas candidaturas dadas até então como vitoriosas, tranquilas. Dois casos são notórios neste sentido, um envolvendo ex-presidentes da República e outro na cena política local.

Uma matéria da revista IstoÉ da semana passada traz uma bomba de grandes proporções, com denúncias robustas feitas pelo ex- ministro Antônio Palocci contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, o que pode colocar por terra a pretensão do PT de eleger Dilma em Minas Gerais para o Senado, com ótimas chances de amealhar uma cadeira e alavancar novamente o partido tão combatido nos últimos anos. Além disso, torna ainda mais difícil a pretensão de Lula na sua tentativa de poder concorrer novamente à presidência da República, a despeito de toda a batalha judicial que ainda tem pela frente para poder se apresentar como o candidato do PT ao posto máximo da política nacional.

No cenário caseiro, as denúncias feitas por um ex-assessor preso na Operação Quadro Negro, que investiga desvio de dinheiro público destinado à construção de escolas, coloca em risco a eleição do ex-governador Beto Richa para o Senado, tida como vitoriosa mesmo antes de começar a corrida eleitoral, bem como a candidatura de seu filho e de seu irmão, respectivamente para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal. Como se vê, legendas fortes como o PT e o PSDB acabam sendo igualmente atingidas nesta avalanche que cobre de incertezas o futuro de nosso país.

Na possibilidade de políticos famosos terem suas candidaturas frustradas ou prejudicadas, no entanto, siglas partidárias diversas, ou mesmo o plano B destes partidos fortes, acabam se colocando como alternativas viáveis no cenário eleitoral, buscando surfar nas ondas do enfraquecimento dos candidatos antes aliados  e tentando desvincular sua imagem daqueles que foram atingidos por uma espécie de fogo amigo (leia-se denúncia ou delação premiada de antigos parceiros políticos), recurso tão bem-vindo para quem pretende angariar votos de um eleitorado tão descrente de políticos e da política brasileira.

É esperar para ver!

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