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06/12/2016 11:43

Sérgio Moro: A história do homem por trás da operação que mudou o Brasil

Sérgio Moro: A história do homem por trás da operação que mudou o Brasil

Coronel César Alberto Souza

Diretor de comunicação da AMAI

No editorial da edição 99 do Jornal AMAI, escrevemos: “Nossa esperança está na 13ª pessoa mais influente do mundo, o juiz Sérgio Moro, e somos todos Moro. Ataques a ele e sua família, é um ataque a todos nós, pessoas de bem, e temos que ir a luta”.

A situação no Brasil continua conturbada, temos um presidente interino e uma presidente suspensa. Espera-se que como presente de aniversário da PMPR, Dilma “Vanda” Roussef seja definitivamente impedida e esteja inelegível pelos próximos oito anos, podendo então responder pelos desvios e crimes comuns que tenha, em tese, participado.

O juiz Sérgio Moro tem sido homenageado e continua sua cruzada contra o crime organizado, a Operação Lava Jato passou da 30ª fase, e a Justiça Federal de Brasília e de São Paulo estão com suas operações derivadas da Lava Jato.

Vários livros foram escritos e dois me chamaram a atenção: o do Tuminha, “Para além da Lava Jato, e este de Joice Hasselmann, sobre o Juiz Sérgio Moro, “O homem por trás do mito”, livro de estreia da jornalista paranaense que vem conquistando o Brasil com seu jeito franco de apresentar e comentar política.

Nascida em Ponta Grossa, Joice iniciou sua carreira naquela Princesa dos Campos. Na CBN foi diretora e âncora, depois ganhou a capital do Estado na Bandnews, seguiram-se: SBT-Paraná, RIC TV Record, e daí para São Paulo, no Projeto que a tornou famosa no Brasil todo, a TVeja, a primeira TV com grade fixa na internet.

Em 2012, quando fui coordenador das Unidades Paraná Seguro, tive a honra de ser entrevistado por Joice, em seu famoso “olho no olho”, programa pelo qual passaram deputados, senadores, candidatos ao governo e à presidência. Agora, ela retribuiu a gentileza, autografando o meu exemplar e dando entrevista exclusiva para a TV AMAI sobre o seu livro, que no lançamento já estava entre os mais vendidos do Brasil.

Com primoroso prefácio de José Nêumanne Pinto, intitulado “O bom combate ao poder do crime”, onde este poeta, jornalista e escritor, descreve a diferença entre o trabalho do Juiz Sérgio Moro e os demais juízes, a complexa ramificação de poderosos de colarinho branco numa organização criminosa com muita sofisticação e tecnologia.

Dentre os inúmeros elogios a obra, destacamos este de Nêumanne: “Este perfil jornalístico, que resulta em bem apurada biografia o Juiz da Operação Lava Jato, será na certa consultado para outras biografias e até tratados sociológicos, historiográficos e da ciência política. Sua maior qualidade é dar ao trabalho do juiz a dimensão de seu êxito, que se explica pelo tamanho e pela especificidade da operação que conduz” (p. 11).

Joice inicia explicando porque escreveu o livro, um pouco de bairrismo, como todo bom pontagrossense. Já inicia contando que Sérgio Moro, embora criado em Maringá, nasceu em Ponta Grossa, mesma naturalidade que Joice e eu. Ela escreve: “E foi este homem que começou a mudar o Brasil, punindo com rigor da lei corruptos e corruptores. Aqueles que corroem o país nunca mais teriam liberdade de antes para cometer crimes. Jamais manteriam a certeza da impunidade” (p. 15).

Ela correlaciona a força das ruas, à Lava Jato e à sólida formação de Sérgio Moro, como fatores que a levaram a escolhê-lo como protagonista nesta operação que envolve abnegados investigadores e delegados da Polícia Federal, uma equipe de promotores do Ministério Público Federal e que está pondo fim a um mega esquema de corrupção, que vem há tempos dilapidando a maior empresa brasileira, a Petrobras, onde Dilma abraçou esse esquema, por ação ou omissão, sendo ela a principal beneficiada política, alçando o maior posto da Nação, por duas vezes, e agora sendo vexatóriamente apeada do poder, na medida que os malfeitos são descobertos.

Em 11 capítulos desde o porquê do livro até “Como será o Brasil daqui para frente?” Joice descreve como a Lava Jato chegou ao núcleo do Partido dos Trabalhadores, e cometeu o “sacrilégio” de ouvir (deveria interrogar) o chefe Luís Inácio Lula da Silva. As ameaças que se seguiram àquele dia 04 de março de 2016, quando o Brasil parou para ver Lula ser ouvido, enquanto a aeronave foi estrategicamente colocada no Aeroporto de Congonhas, logo após o depoimento, Lula deu uma entrevista coletiva e fez a analogia perfeita: “se queriam matar a Jararaca, erraram ao pisar no rabo”. A peçonha estava apenas começando, a imprensa, os blogs e a militância foram convocados à ordem “matem o Moro”, e o discreto juiz teve que abdicar de sua rotina para começar a andar armado. Os ataques se intensificaram, com mentiras, aleivosias, calúnia e difamação.

Joice Hasselmann divulgou através de seu Facebook, com milhões de seguidores, um vídeo em apoio ao juiz Sérgio Moro. Ela sabia do que os seguidores do “lulopetismo” eram capazes, a operação Aletheia, 24ª fase da Lava Jato procurava a verdade, mas despertaria a maior enxurrada de mentiras.

Joice relata como a formação familiar, escolar e profissional de Sérgio Fernando Moro, 43 anos, o prepararam para o desafio de conduzir a Lava Jato, sua formação tradicional e cristã, e os primeiros passos no judiciário. Um dos pontos altos do livro é o relato sobre a atuação de Moro no Caso Banestado, onde condenou os envolvidos em 11 meses, o uso das delações premiadas, e o quanto isso contrariava os tucanos. Inclusive, as sentenças do juiz que contrariavam a política econômica e que na Operação Banestado indiciaram 97 pessoas, entre as quais o presidente do Banco Central na gestão FHC, Gustavo Franco; o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e o fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, falecido em 2014. Pois é, Moro já foi acusado de prejudicar os tucanos!

Temos o relato desde a convocação de Moro para auxiliar a ministra Rosa Weber, com detalhes sobre o mensalão, iniciado em 2005 e julgado em 2012, na famosa AP 470, até a condução das investigações do “Petrolão” e como Sérgio Moro assume a mítica de herói, sucedendo Joaquim Barbosa.

Nosso protagonista é questionado justamente por sua ousadia, qualidade técnica e retidão profissional. Moro se recusa a ser mais um agente público de uma justiça falha, lenta e até criminosa. Ele não quer ser apenas mais um em sua carreira, daqueles que não compreendem a capacidade humana e social do trabalho no judiciário (p. 100).

Destaca-se entre os detratores de Moro a própria presidenta Dilma, que repetiu infinitamente o mantra de golpe, contra todos que querem Justiça e principalmente contra os que fazem Justiça. Explica que a delação premiada para ser aceita, deve também indicar os caminhos para provar a delação, e o quanto isso está ajudando a desvendar um gigantesco esquema de propinas, desvios e “reais roubos do colarinho branco”.

Joice não poupa ninguém, descreve a mídia “progressista” que a partir de 2011 tecia loas ao petismo, ignorava a Lava Jato e os blogs que engajadamente só defendem o petismo e atacam a Lava Jato e principalmente o Juiz Sérgio Moro. Também no judiciário uma parcela pequena, criticou o juiz, mas a grande maioria saiu em defesa dele, que a cada dia se fortalece mais para poder realizar o seu bom trabalho.

O episódio dos grampos, que expuseram as maquinações e tentativas de proteger o “chefe” a qualquer custo, também está no livro, e a resposta das ruas com a mega manifestação popular de 13 de março de 2016 que encaminharia o impeachment para seu deslinde final.

O livro é uma biografia em primeira pessoa, Joice ouviu os familiares de Moro para mostrar o ser humano que ele é. A autora deixou de fora o episódio de Maringá, que retratamos no editorial da AMAI, edição 99, preferiu mostrar o carinho de Moro com a mãe e a cumplicidade com a esposa, os hábitos simples, a humildade e a discrição dele, características de família. Sentimos falta de uma entrevista com o Juiz Sérgio Moro, mas o livro mostra que ele prefere falar nos autos, e nos atos.

No capítulo “O rosto presente nas manifestações”, Joice faz um retrospecto das manifestações, o nascimento dos Movimentos Brasil Livre, Vem para Rua, Revoltados On-line e como o MCC, Movimento Contra a Corrupção, entrelaçou as carreiras de Moro e Joaquim Barbosa. Embora Moro fosse preterido na ascensão ao STF, foi o eleito pelo povo para assumir o papel nos corações das pessoas, e depois da capa de Joaquim Barbosa embalar o carnaval de 2014, o rosto de Moro e a figura dele embalou as manifestações contra a corrupção.

A seguir ela apresenta como a Lava Jato, a obra inacabada, que está mudando primeiramente a forma de encarar o crime de lavagem de dinheiro, como essa prática encobre outros crimes e como a delação premiada pode ajudar a desvendar crimes de colarinho branco e organizações criminosas.

Joice relata a transparência com a imprensa, a “justa publicidade dos autos” e a relação republicana da equipe Lava Jato com a mídia. As revelações da Lava Jato oportunizam inclusive rever outros casos de corrupção que ficaram “esquecidos” até o assassinato misterioso de Celso Daniel volta à tona, e a ideologia do PT, substituída pelo poder em troca de propina, é revelada. O partido perde o encanto, lhe cai a máscara. A destruição da Petrobras é também demonstrada e o legado para a Justiça através da Lava Jato, uma operação que pode até mudar a forma de se combater a corrupção neste país.

Demonstra que a importância de Sérgio Moro e da Lava Jato vai além do que passou, para além do que foi revelado, os riscos da corrupção para toda a sociedade, mas também a lição de como pequenas atitudes acabam tendo grandes consequências, ser honesto no pouco e ser honesto no muito. Joice lembra que a Democracia é o mando da sociedade, se o Estado manda, é ditadura, simples assim. Querer o fim da corrupção exige a confiança nas instituições, por mais demorada e desalentadora que seja essa opção, não existem atalhos, mas não devemos desanimar, perseverar sempre.

Ao terminar o Livro Joice acaba revelando o porquê de estar fora dos grandes veículos de imprensa, depois de ter sido premiada e aclamada, demonstra o quanto a verdade incomoda, principalmente aos políticos e poderosos que preferem divulgar suas “versões”, viver suas personagens enganando seus eleitores, sem “Joices” para lhes atrapalharem. Ela destaca que acredita no Brasil e que luta por ele, acredita na inovação para a formação das cidade brasileiras, nas cidades para formar os estados e a Nação. Alerta que inovação não combina com corrupção, e em peroração destaca que esse é o retrato que fez do perfil de Sérgio Moro, “juiz responsável por comandar a operação que abriu as portas para a reconstrução do Brasil”.

O Ministério Público Federal mantém um site que atualiza os resultados da Lava Jato1, e mantém o engajamento pelas 10 Medidas Contra a Corrupção, além de ter um link para outras operações que estão passando o Brasil a limpo, no governo federal, em estados, municípios ou estatais.

O livro de estreia da princesina Joice Hasselmann é leitura obrigatória, uma descrição enxuta da Lava Jato, a personagem Sérgio Moro, além do mito, a consistência de seu trabalho e como vem enfrentando os ataques e seguindo em frente na sua versão brasileira de “Mani Pulite”. A Lava Jato, que tem seu nome a partir do uso de uma rede de postos de gasolina e lava rápidos para encobrir recursos ilícitos, acabou se consagrando, talvez até pelo fato de Al Capone ter utilizado uma rede de lavanderias na Chicago dos anos 30 para legalizar seus ganhos com o crime, o que consagrou o nome lavagem de dinheiro. Pois é, a brasileira é à jato. 

Hasselmann, Joice. Sérgio Moro: A história do homem por trás da operação que mudou o Brasil. São Paulo, Universo dos livros, 2016, 208p.

Encontre no site da AMAI

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